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sábado

Memória da ditadura: a diferença entre Brasil e Argentina

Postado em diario gauche


Lá, se faz justiça. Aqui, se permite que o Exército deboche da democracia

O Ministério de Educação da província argentina La Pampa estuda tomar medidas severas contra a professora Susana Orn, do município de General Campos, que cometeu o seguinte erro cívico: no ato do Bicentenário da Independência, a 25 de maio, a professora do ensino fundamental incluiu por conta própria o ex-ditador general Leopoldo Galtieri e o ex-presidente Julio Roca, ambos como personagens destacados da pátria, e o segundo ainda como alguém que exterminou os índios de La Pampa, que para ela teve um sentido edificante. A diretora da escola - segundo matéria de capa do diário portenho Página 12, edição de hoje - Ana María Fransante, assegurou que o ministro de Educação, Néstor Torres, "quase desmaiou quando escutou a professora".

Vejam como são as coisas. Enquanto isso no Brasil, o portal web do glorioso Exército brasileiro faz encômios e loas ao golpe de abril de 1964, reinterpretando-o como "Revolução Democrática de 1964" (ver post de ontem, abaixo). E não acontece nada. E o ministro da Defesa, responsável pelas armas militares, Nelson Jobim, faz olho branco. No Congresso não se ouve uma referência sequer à provocação e à desfaçatez dos militares.

Na Argentina, uma professorinha protofascista manifesta sua admiração por dois genocidas, Galtieri (ditador entre 1981/82) e Roca (exterminador de 20 mil índios mapuches, no século 19), e é motivo de justa indignação na imprensa e entre as autoridades federais. No Brasil, o Exército debocha de forma provocativa do próprio governo democrático - a qual deve respeito e disciplina constitucional - e tudo permanece como se nada tivesse acontecido.

Observem como é importante uma ação de governo no sentido de abrir o debate sobre o passado ditatorial. Na Argentina, mesmo os governos liberais, como o de Alfonsin e De La Rua, passando pelo casal Kirchner, houve uma preocupação com o exame acurado dos graves fatos acontecidos durante a repressão militar. Essa decisão - correta e elogiável - ilumina o debate nacional. Hoje, na Argentina, dois ex-ditadores estão presos e são oficialmente considerados torturadores/genocidas, pelo Poder Judiciário, Reynaldo Bignone e Rafael Videla. O oligarca José Alfredo Martinez de Hoz , uma espécie de mescla de Otávio Gouveia de Bulhões/Delfim Netto/Golbery do Couto e Silva, está preso. Ele tem, hoje, 85 anos de idade, e é acusado de genocídio, corrupção passiva e ativa e de atos de traição à pátria por ter alienado bens públicos de forma irregular e temerária.


No Brasil, temos que ouvir o som político das flautas zombeteiras dos quartéis.

sexta-feira

EUA gastaram 2,3 bilhões com propaganda anti-Cuba em 10 anos

Postado em Aldeia Gaulesa



A Lei de Acesso à Informação desclassificou documentos que mostram que a USAID (Agência Norte-Americana para o Desenvolvimento Internacional) modificou contratos e investiu mais de 2,3 bilhões de dólares para propaganda contra Cuba desde 1999.
Segundo os contratos da agência com a organização CubaNet – site com sede em Miami contra a Revolução Cubana e um dos parceiros da USAID – os Estados Unidos bancaram jornalistas na ilha para difundir informações distorcidas, divulgando até mesmo dados falsos com o objetivo de convencer a opinião pública internacional contra o governo cubano.

Desde a Revolução Cubana, os EUA promovem uma campanha de agressão contra a ilha caribenha. Nos últimos anos, porém, as ações foram intensificadas com o aumento de investimentos de 98 mil dólares, em 1999, para 20 milhões de dólares previstos para 2010.

O CubaNet, um dos principais parceiros da agência norte-americana, surgiu em 1994, e desde então faz da internet um novo campo de bombardeio a Cuba. Em parceria com a NED (sigla em inglês para Fundação Nacional para a Democracia), organização privada que se diz a serviço da democracia nas Américas, o USAID financia declaradamente o CubaNet alegando “apoiar um programa para expansão de um site de jornalistas independentes em Cuba”, segundo o contrato.

Além disso, os documentos prevêem o controle da USAID sobre as contratações de funcionários, sobre o plano de trabalho e exige um relatório trimestral de progresso e atividades realizadas, o que explicita a intervenção direta da agência norte-americana sobre o site que, em sua própria página, se diz uma “organização apartidária, dedicada a promover a imprensa livre em Cuba, impulsionar o setor independente a desenvolver um sociedade civil e informar ao mundo a realidade do país”.

Tais ações vão contra a própria lei norte-americana que apresenta restrições no envio de dólares para Cuba, proíbe a divulgação de propagandas financiadas pelo governo e a utilização destas informações nos meios de comunicação do país.

Em um documento datado de 19 de abril de 2005, fica explícito que o site não limita seu trabalho ao território cubano: “o CubaNet continua publicando reportagens e promovendo sua disseminação nos meios de comunicação de massa nos EUA e na imprensa internacional”, diz um dos relatórios.

O mesmo arquivo mostra que foi autorizado o envio de “fundos privados” que não pertenciam a USAID para a ilha naquele ano . Diante da restrição do Departamento do Tesouro de Washington, o documento afirma que os “fundos privados” foram escondidos dentro da autorização concedida a agência estadunidense para financiar o site.
Alguns documentos estão disponíveis abaixo:

Contrato original entre USAID e CubaNet

Modificação do contrato USAID-CubaNet em 2005

Modificação do contrato USAID-CubaNet em 2007


Fonte: Opera Mundi